Minha memória de passista começa muito cedo, ainda na infância, quando o encantamento pelo carnaval já pulsava forte no peito. Minha mãe, dona Maria de Jesus, sempre recorda que, em 1965, a Turma do Quinto passava pela rua e eu, com apenas três anos de idade, vi meu irmão Abmael desfilando junto com meu tio e padrinho Newton de Jesus, conhecido como “Baralhada”. Corri na sua direção e o abracei com toda a vontade de quem queria brincar também. Mas era pequeno demais; não foi possível naquele ano.
No ano seguinte, em 1966, o saudoso “Baralhada”, me levou pela primeira vez. Ali começava a minha saga como baliza, lenço na mão, aprendendo a arte que, naquela época, exigia coragem e habilidade: saltos mortais, plantar bananeira, girar e vestir com orgulho as cores azul e branco, amarelo e preto. Na saída da sede que ficava localizada ao lado do atual “ponto de fuga”, ao comando do corneteiro era dado o sinal para a Turma do Quinto, hoje chamada (QT) tomar a rua. E eu fui, ano após ano, vivendo intensamente cada desfile.
Mais tarde, minha avó, dona Joana de Jesus, me levou para escola de samba Império Serrano, onde tive a honra de exercer a função de rei, com direito a coroa e manto, ao lado da rainha. Depois, passei pela escola Baralho do Samba, atuando como mestre-sala. Mas, como todo amor verdadeiro, voltei para onde tudo começou: a Turma do Quinto.
Este relato celebra 60 anos de folião no carnaval de São Luís. São seis décadas de alegria, dedicação e pertencimento à minha escola de coração. Nesta comemoração, realizo mais um sonho ao desfilar com os Fuzileiros da Fuzarca, que completa 90 anos de história. Também estarei brincando na Turma do Quinto, no Abiyèyè Mailô, na Turma do Saco e na Marambaia, reafirmando meu compromisso com a cultura popular da minha terra.
A maior felicidade, porém, é ver meu filho mais novo, com apenas dois anos de idade, já sentindo essa vibração e minha esposa firme ao meu lado, compartilhando comigo essa paixão. Meus outros três filhos também sempre estiveram ao meu lado, apoiando, incentivando e respeitando essa caminhada. Prestes a completar 64 anos, celebro esses 60 anos de carnaval com o enredo da Turma do Quinto: “Na Turma do Quinto, o reggae é a lei”, que tem um valor imenso para mim. Sou regueiro de coração e, neste desfile do dia 21/02/2026, vou mostrar sambando que o reggae também é identidade, resistência e paixão.
Assim encerro este relato transbordando de gratidão! “É uma felicidade imensa seguir na avenida, com o coração cheio de memória, tradição e amor pelo carnaval pois enquanto eu desfilar, minha paixão nunca envelhece”.
ATENCIOSAMENTE: ALEXANDRE MAGNO


